Se você olhar para qualquer foto clássica de Machu Picchu, verá uma montanha alta e pontuda ao fundo, vigiando as ruínas. Essa é Huayna Picchu. Quando comprei meu ingresso, decidi incluir essa subida extra, ignorando os avisos sobre a dificuldade. “Eu aguento”, pensei. Bem, deixe-me contar: é um desafio para as pernas e, principalmente, para a mente de quem tem medo de altura.
A entrada para a trilha é controlada e os horários são rígidos. Assim que comecei a subir, percebi que não seria um passeio no parque. O caminho é íngreme, muito íngreme. Em alguns momentos, você está praticamente escalando degraus de pedra originais dos Incas, estreitos e escorregadios pela umidade da floresta nublada. A vegetação é densa, com orquídeas selvagens e musgos cobrindo as rochas, dando um ar de “Indiana Jones” que ajuda a distrair do esforço pulmonar causado pela altitude.
O trecho mais famoso — e assustador — é a tal “Escada da Morte”. O nome é dramático, mas a sensação de vertigem é real. São degraus flutuando sobre o abismo, sem corrimão, onde você precisa usar as mãos e os pés, colando o corpo na rocha. Olhar para baixo? Nem pensar. O coração batia na garganta, e a solidariedade entre os viajantes foi essencial; uns encorajavam os outros com sorrisos nervosos e palavras de apoio em diversas línguas.
Mas, como tudo na vida, o esforço teve sua recompensa. Chegar ao topo de Huayna Picchu (a cerca de 2.720 metros de altitude) oferece uma perspectiva única: ver a cidadela de Machu Picchu de cima. Lá de baixo, a cidade parece grande; daqui de cima, ela parece um milagre da engenharia, encaixada perfeitamente no cume da montanha, rodeada pelo rio que serpenteia lá no fundo do cânion. É uma visão que coloca tudo em perspectiva.
Sentada no topo, com o vento batendo no rosto e as pernas tremendo um pouco, senti uma onda de gratidão imensa. Não é apenas sobre ver uma paisagem bonita, é sobre superar seus próprios limites físicos e mentais. Descer foi outro desafio (dizem que para baixo todo santo ajuda, mas em Huayna Picchu os joelhos reclamam!), mas cheguei à base com a camisa suada e a alma lavada. Se você tiver preparo físico e coragem, não pule essa etapa. É transformador.


