Muitas pessoas vão a Machu Picchu para “ticar” um item da lista de desejos, tirar a selfie perfeita e ir embora. Mas o segredo, descobri, é desacelerar. Depois que a euforia da chegada passou e o grupo do meu guia seguiu adiante, decidi ficar para trás e explorar o local no meu próprio ritmo. Foi aí que a verdadeira magia aconteceu. O lugar tem uma acústica e uma energia que são difíceis de explicar em palavras; há um silêncio pesado, respeitoso, que paira sobre as pedras.
Caminhando pelas ruelas da zona urbana da cidadela, comecei a prestar atenção nos detalhes. A precisão dos cortes nas pedras é algo que desafia a lógica. Como eles moveram blocos de granito de toneladas sem a roda? Como encaixaram essas pedras tão perfeitamente que nem uma lâmina de barbear passa entre elas, e sem usar argamassa? Tocar aquelas paredes frias e ásperas é sentir a vibração de uma civilização que compreendia a natureza e a astronomia melhor do que nós compreendemos hoje.
E, claro, não posso deixar de falar das verdadeiras donas do pedaço: as lhamas. Elas pastam livremente pelos terraços, com aquela expressão de indiferença e superioridade que só elas têm. Elas não têm medo dos turistas; na verdade, parecem posar para as fotos. Tive um momento hilário (e fofo) quando uma lhama decidiu bloquear meu caminho em uma escadaria estreita. Tivemos um impasse de alguns minutos até que ela, graciosamente, decidiu que eu não era uma ameaça e seguiu seu caminho mastigando grama.
Encontrei um canto mais afastado, longe da rota principal dos turistas, e apenas sentei na grama. Fechei os olhos e tentei imaginar como era a vida ali no século XV. O som do vento, o cheiro de terra molhada e a visão das nuvens abraçando os picos ao redor criam uma atmosfera de paz absoluta. Dizem que Machu Picchu é um vórtice de energia, um dos “chakras” da Terra. Eu sou meio cética com essas coisas, mas ali, naquele momento, senti uma leveza e uma clareza mental que não sentia há anos.
Saí de lá no final da tarde, quando os guardas começaram a apitar para o fechamento. A luz dourada do sol poente batia nas pedras, mudando a cor da cidade de cinza para um laranja quente. Fui embora com as pernas cansadas, mas com o espírito renovado. Machu Picchu não é apenas um monte de pedras antigas; é um lembrete da capacidade humana de criar beleza em lugares impossíveis e da nossa conexão eterna com a Pachamama (Mãe Terra).


